O estuprador de Patos

Muita calma nessa hora! Esse artigo não se trata de um conto sobre um zoófilo que atacava os patinhos causando terror por toda a lagoa. Na verdade, o assunto a ser abordado é bem mais sério. Explico:

Moro em uma cidade chamada Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba, interior de Minas Gerais.

Há alguns meses, um homem foi preso acusado de estuprar várias mulheres com idade entre 22 e 27 anos. Após o terceiro estupro, a investigação ficou mais acirrada, mais pistas foram levantadas e depois de algum tempo, chegou-se à conclusão que o autor dos delitos sexuais era um jovem engenheiro agrônomo de 31 anos. Configurava-se então o perfil de um maníaco. O mais impressionante nisso tudo é que assim que o nome do acusado foi apresentado, várias pessoas ficaram perplexas, pois se tratava de alguém acima de qualquer suspeita. Dentre as pessoas que se impressionaram com o nome do engenheiro associado aos crimes, estava eu. Há alguns anos, minha mãe prestava serviços à família do acusado. Eu o conhecia. Já usei seu computador para fazer compras pela internet. Via seu empenho com os estudos e a maneira doce com que tratava seus pais. Conversando com ele, percebe-se fácilmente que ele é aquele tipo de cara que chamamos de “gente boa”. Vários de seus colegas não acreditaram, pois dizia que na faculdade ele nunca foi “mulherengo” ou mesmo desrespeitoso com alguma garota. Além de tudo, ele era um cara casado. Como amigo da família, posso dizer que ele foi bem criado pelos pais. Não possuía vícios e era um jovem aparentemente bem sucedido. Por isso o espanto.  Geralmente, esse não é o perfil de alguém que comete crimes tão graves! Será?

No séc. 19, um psiquiatra italiano chamado Cesare Lombroso, defendia a tese de que os criminosos possuíam características peculiares. Essas particularidades poderiam ser tanto emocionais e psicológicas quanto físicas. Segundo Lombroso, ter uma altura acima da média, crânios menores que os “normais”, orelhas de abano, queixo protuberante, barba rala, cabelos por pentear, dentre outros atributos, já eram indícios de que aquela pessoa tinha propensão para o crime. Não satisfeito com isso, ele dizia que determinadas características físicas eram mais típicas de um crime específico, por exemplo: Homens de feição mais feminina, tinham predisposição a cometerem crimes sexuais. Inspirado por essas ideias da escola italiana de antropologia criminal, o médico, psiquiatra e antropólogo brasileiro Nina Rodrigues, também no séc. 19, propôs que houvessem códigos penais diferentes para cada cor de pele, já que cada grupo racial (Três, segundo ele: Brancos, Mulatos e Negros) possuía seu próprio sistema moral. Para nós, no século 21, essas teorias soam como absurdos. Ideias preconceituosas. Entretanto, no imaginário coletivo, ainda existem essas noções de que o criminoso precisa ter cara de delinquente.

Mas o que a Bíblia diz acerca dessas coisas?

Diferente do que está anexado no inconsciente social, a Palavra de Deus nos mostra que qualquer um pode fazer coisas terríveis e lastimáveis

“Como está escrito: ‘Não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer”. (Romanos 3:10-12)
Com base nesses versos, concluímos que não há distinções do ponto de vista da predisposição para o mau, entre uma pessoa e outra. Todo ser humano tem dentro de si uma natureza que o leva e o incentiva a fazer o que é ilegal, indecoroso, imoral. Obviamente, algumas pessoas vão dar mais vazão a esses estímulos pecaminosos, de modo que suas más obras vão ser mais notáveis que as maldades de outros que conseguem resguardar mais seus impulsos ou pelo menos disfarça-los melhor. Muitos de nós que desejamos a condenação justa de um estuprador, (e realmente devem ser condenados) não temos coragem de fazer tamanha violência a ninguém. A não ser em nossas mentes. Não quero com isso igualar as consequências de um mau pensamento com os efeitos de uma má ação. Mas apontar para o fato de que todos somos nivelados quando o assunto é a inclinação do desejo para aquilo que é mau. A maioria de nós nunca matou, nem violentou, ou feriu alguém, porém, todos nós já tivemos a vontade de fazer essas coisas ou outras igualmente ruins. Por isso o apóstolo Paulo afirmou: “…pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus… (Romanos 3:23) mostrando que a situação do homem diante de Deus é lamentável, triste e fatal.
Diante de uma situação caótica da humanidade que é naturalmente má, o que fazer? Qual a solução?
Na verdade não há nada que possamos fazer. Entretanto, dependemos de algo que foi feito por nós. Deus, percebendo a situação da incapacidade humana de acertar seu relacionamento com Ele, veio por meio de Jesus ao nosso mundo, viver como um de nós, para ser a pessoa que deveríamos ser. Sua justiça foi suficiente para pagar os pecados e as maldades que nos impedem de fazer o que é bom. Ao falar sobre os que são de Cristo, Paulo diz:
“sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:24-26)
Deus não nos aceita e nos perdoa por coisas que fizemos. Não é por nossos sacrifícios. Não fomos nós que o procuramos, mas ele nos encontrou em situação angustiante e mortal. “Ele lhes deu vida, quando estavam mortos nos seus delitos e pecados”. (Efésios 2:1)
Foi tudo de graça. Sem mérito nosso.
“Houve tempo em que nós também éramos insensatos e desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando-nos uns aos outros. Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador. Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos tornemos seus herdeiros, tendo a esperança da vida eterna.” (Tito 3:3-7)
Ser de Cristo não é ser perfeito, mas é ter companhia no trajeto. É ter força pra lutar contra o erro. É ter amizade na solidão e o mais importante, é ter a certeza de um lar e de acolhimento mesmo quando pisamos na bola. Por sua bondade e graça, podemos contar com seu perdão.

Vinícius A. Silva